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Energia nuclear é usada
em muitos lugares do planeta

Moratória nuclear na Espanha: causas, consequências econômicas

Moratória nuclear na Espanha: causas, consequências econômicas

A moratória nuclear é chamada de suspensão temporária da construção e início de operação de usinas nucleares.

Em 1983, na Espanha, foi elaborado um Plano Nacional de Energia, no qual foi decretada uma moratória nuclear no país. A moratória nuclear significou o bloqueio de 5 projetos de usinas nucleares das 7 aprovadas. Tecnicamente, significou um freio na dinâmica de desenvolvimento da energia nuclear no país.

O que causou a moratória nuclear na Espanha?

São vários os motivos que motivaram a criação da moratória nuclear:

  • Razões técnicas.

  • Razões derivadas da demanda por eletricidade.

  • Oposição social. Oposição popular à energia nuclear, especialmente na Extremadura e no País Basco.

Em que consistia a moratória nuclear espanhola?

Em 1983 foi elaborado um Plano Nacional de Energia no qual a energia nuclear na Espanha foi gravemente afetada. A vontade do governo Felipe González era desenvolver um plano para adaptar a produção nacional de eletricidade à demanda energética e ajustar os preços.

Em junho de 1984, o Congresso dos Deputados aprovou o Plano Nacional de Energia de 1983 (PEN-83). O desligamento nuclear foi a principal novidade do PEN-83, ​​que consistiu na desaceleração do programa de construção da usina nuclear.

Naquela época, havia 7 usinas nucleares que tinham autorização para sua construção:

  • A usina nuclear Lemóniz I-II

  • As usinas nucleares Valdecaballeros I-II

  • As usinas nucleares Trillo I-II

  • A central nuclear de Vandellós II.

No desenvolvimento do PEN-83, ​​considerou-se necessário readaptar o atual programa de energia nuclear para selecionar apenas duas usinas nucleares das sete que tinham autorização.

As usinas escolhidas foram a usina nuclear Trillo I e a usina nuclear Vandellós II.

 

Implicações técnicas da moratória nuclear

Na data de aprovação da moratória nuclear, alguns dos projetos já haviam sido iniciados, por isso foi necessário planejar estratégias de conservação para o que se construía na época.

Nos dois grupos de Lemóniz, a conservação da construção foi mantida até a data da moratória. Nos dois grupos de Valdecaballeros, apenas as tarefas de manutenção serão realizadas através da execução de um Plano de Desligamento previsto no PEN-83.

A construção da usina nuclear Trillo II ainda não havia começado.

Consequências econômicas da moratória nuclear

Do ponto de vista econômico, os investimentos dos grupos proprietários das usinas nucleares que estavam bloqueadas já haviam sido realizados. Para compensar as perdas, por despacho do Ministério da Indústria, em outubro de 1983, foi estabelecido um percentual da tarifa de energia elétrica que seria utilizado para o cumprimento dessas obrigações.

O aumento das faturas de eletricidade terminou em outubro de 2015. De acordo com a Comissão Nacional de Mercados e Concorrência (CNMC), os espanhóis pagaram um total de 5.717 milhões de euros a bancos e empresas de eletricidade.

A obrigação legal da moratória também foi incluída no Plano Nacional de Energia de 1991 (PEN-91). Esse plano estabeleceu uma série de previsões da demanda por eletricidade e aposta nos combustíveis fósseis e nas energias renováveis.

A solução para o problema da moratória nuclear viria com a aprovação da Lei de Ordenação do Sistema Elétrico Nacional (LOSEN) de 1994. Essa disposição legal afetava apenas algumas usinas nucleares e estabelecia compensações econômicas. Para isso, as empresas de energia elétrica poderiam deduzir um percentual da tarifa de energia elétrica.

Em dezembro de 1996, o Governo e as empresas de energia elétrica assinaram o Protocolo para o estabelecimento de uma nova regulamentação do Sistema Elétrico Nacional. O resultado foi a Lei do Setor Elétrico de 1997, que introduziu mudanças importantes no sistema atual.

Essa nova lei supunha uma liberalização total da atividade de produção de energia elétrica, de forma que a construção de usinas nucleares ficaria apenas sujeita ao regime de autorização administrativa prévia.

Compensação de projetos permanentemente paralisada

A Portaria do Ministério da Economia de junho de 1996 instituiu um Fundo de Securitização de Ativos Resultantes da Moratória Nuclear. Este fundo foi constituído como único cessionário de todo o direito de indenização reconhecido às empresas de energia elétrica proprietárias dos projetos de construção das usinas nucleares de Lemóniz, Valdecaballeros e Trillo II.

A anualidade correspondente a 2000 e o valor pendente de indenização foram fixados de acordo com a Resolução de 15 de janeiro de 2001 da Direção Geral de Política Energética e Minas.

Para apuração do valor pendente de indenização em 31 de dezembro de cada ano, é realizada auditoria prévia de cada projeto separadamente.

Autor:

Data de publicação: 9 de dezembro de 2010
Última revisão: 11 de dezembro de 2021